Diálise peritoneal: tratamento domiciliar
A diálise peritoneal é uma terapia de substituição renal realizada em casa, que usa o peritônio — a membrana que reveste a cavidade abdominal — como filtro natural. Uma solução estéril é infundida no abdome por um cateter, permanece ali por um período determinado e depois é drenada, levando consigo o excesso de água e as substâncias que os rins não eliminam mais.
Como funciona
Um cateter é implantado cirurgicamente no abdome e permanece de forma permanente. Por ele, a solução de diálise entra na cavidade peritoneal, onde o próprio peritônio faz a troca de substâncias com o sangue que circula nos vasos da membrana. Depois do tempo de permanência, a solução é drenada e substituída. Esse ciclo — infusão, permanência e drenagem — é o que se chama de troca.
Modalidades
- Diálise peritoneal ambulatorial contínua: as trocas são feitas manualmente ao longo do dia, geralmente três a quatro vezes, sem necessidade de máquina.
- Diálise peritoneal automatizada: uma cicladora realiza as trocas durante a noite, enquanto o paciente dorme, liberando o dia.
A escolha entre as duas considera rotina, função renal residual, características de transporte do peritônio e preferência do paciente.
Quem pode fazer
A modalidade exige três condições: peritônio funcionante, ausência de contraindicação abdominal — como aderências extensas, hérnias não corrigidas ou cirurgias prévias que comprometam a cavidade — e capacidade de realizar o procedimento em casa, seja pelo próprio paciente ou por um cuidador treinado. Também exige ambiente domiciliar com condições mínimas de higiene e espaço para armazenar o material.
Treinamento e rotina
Antes de iniciar, o paciente ou o cuidador passa por treinamento presencial na técnica de troca, com foco na prevenção de infecção. A rotina domiciliar inclui registro diário de peso, pressão arterial, volume infundido e drenado, e inspeção do local de saída do cateter. Esses registros são o principal insumo da consulta de acompanhamento.
Vantagens e pontos de atenção
A diálise peritoneal oferece maior autonomia, dispensa deslocamento três vezes por semana a uma unidade de diálise e tende a preservar por mais tempo a função renal residual. Em contrapartida, é um tratamento diário, exige disciplina técnica rigorosa e tem como principal complicação a peritonite — motivo pelo qual qualquer líquido drenado turvo, dor abdominal ou febre deve ser comunicado imediatamente.
Acompanhamento nefrológico
A consulta revisa a adequação da diálise, o balanço de volume e a pressão arterial, o estado do orifício de saída do cateter, controle de potássio, cálcio, fósforo e paratormônio, anemia, estado nutricional e glicemia — relevante porque as soluções contêm glicose. Também é o momento de reavaliar se a modalidade continua sendo a mais adequada e de discutir transplante quando houver indicação.
Atendimento particular
As consultas são exclusivamente particulares, com recibo para solicitação de reembolso ao plano de saúde. O consultório fica na Av. Ataulfo de Paiva, 135 — sala 1418, Leblon, Rio de Janeiro — RJ.
Perguntas frequentes
Diálise peritoneal é melhor que hemodiálise?
Não existe modalidade superior em termos absolutos. A escolha depende de condições clínicas, anatomia abdominal, função renal residual, rotina e estrutura de apoio. Cada uma tem vantagens e riscos próprios, e a decisão é individual, tomada em conjunto na consulta.
Posso tomar banho e nadar com o cateter?
Banho de chuveiro é permitido com os cuidados de proteção e secagem do orifício de saída orientados no treinamento. Piscina, mar e banheira exigem avaliação individual, porque aumentam o risco de infecção do túnel do cateter.
A diálise peritoneal exige internação?
O implante do cateter é um procedimento cirúrgico, geralmente de curta permanência. O tratamento em si é domiciliar. Internação passa a ser necessária apenas diante de complicações, como peritonite que não responde ao tratamento ambulatorial.
O conteúdo deste site tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a consulta, o diagnóstico ou o tratamento realizados por médico. Resultados variam de paciente para paciente.
Ficou com dúvida sobre a indicação?
Traga seus exames e o histórico. A conduta é definida caso a caso, não por protocolo padronizado.