Condição clínica

Doença renal crônica: o que é e como é acompanhada

Doença renal crônica é a perda progressiva e persistente da função dos rins, definida por alteração da taxa de filtração glomerular ou por lesão renal mantida por mais de três meses. Ela é dividida em cinco estágios e, nas fases iniciais, evolui sem sintomas — motivo pelo qual costuma ser descoberta por exame de rotina, e não por queixa.

Sinais e sintomas associados

  • Inchaço em pernas, pés ou rosto
  • Cansaço e fraqueza
  • Urina espumosa
  • Redução do volume urinário
  • Pressão alta de difícil controle
  • Náusea e perda de apetite
  • Coceira na pele
  • Anemia

Os cinco estágios

O estadiamento usa a taxa de filtração glomerular estimada, em mL/min/1,73 m²:

  • Estágio 1 — filtração de 90 ou mais, com sinal de lesão renal (por exemplo, proteinúria).
  • Estágio 2 — filtração entre 60 e 89, com sinal de lesão renal.
  • Estágio 3 — filtração entre 30 e 59, subdividido em 3a e 3b. É onde a maioria dos encaminhamentos acontece.
  • Estágio 4 — filtração entre 15 e 29. Fase de preparo para terapia renal substitutiva.
  • Estágio 5 — filtração abaixo de 15. Indicação de diálise ou transplante conforme quadro clínico.

O estágio, isolado, não define prognóstico. A presença e a magnitude da proteinúria e a velocidade de queda da filtração ao longo do tempo pesam tanto quanto o número.

Causas mais frequentes

Diabetes e hipertensão arterial respondem pela maior parte dos casos. Também aparecem glomerulopatias, doença renal policística, uropatia obstrutiva, infecção urinária de repetição com cicatriz renal, uso prolongado de anti-inflamatórios e doenças autoimunes com acometimento renal.

Por que é silenciosa

Os rins têm reserva funcional grande. É possível perder metade da capacidade de filtração sem qualquer sintoma perceptível. Quando o cansaço, o inchaço e a náusea aparecem, a doença já costuma estar em estágio avançado. Essa é a justificativa para rastrear quem tem fator de risco mesmo sem queixa: diabetes, hipertensão, histórico familiar, idade acima de 60 anos, obesidade e uso crônico de anti-inflamatórios.

Como o diagnóstico é feito

Com dois exames simples, repetidos: creatinina sérica, para cálculo da taxa de filtração glomerular, e pesquisa de proteína na urina, pela relação albumina/creatinina ou proteína/creatinina em amostra isolada. A confirmação exige persistência da alteração por mais de três meses. A partir daí, a investigação da causa pode incluir ultrassonografia, exames imunológicos e, em casos selecionados, biópsia renal.

O que o acompanhamento consegue mudar

A doença renal crônica estabelecida não é revertida, mas a velocidade de progressão pode ser reduzida. As intervenções com maior impacto são o controle rigoroso da pressão arterial, a redução da proteinúria com medicação específica, o controle glicêmico no diabetes, a suspensão de medicamentos nefrotóxicos e o manejo de anemia, acidose e do metabolismo de cálcio e fósforo. Em paralelo, o seguimento prepara com antecedência a decisão sobre diálise ou transplante — o que muda substancialmente as condições em que essa transição acontece.

Perguntas frequentes

Doença renal crônica tem cura?

A perda de função já estabelecida não é revertida. O que o tratamento faz é reduzir a velocidade de progressão, controlar as complicações e preservar a função remanescente. Em estágio avançado, as opções passam a ser diálise ou transplante renal.

Quem tem doença renal crônica vai precisar de diálise?

Não necessariamente. Muitos pacientes permanecem estáveis por anos, sem chegar ao estágio que exige terapia dialítica. A probabilidade depende do estágio no momento do diagnóstico, da presença de proteinúria e do controle dos fatores associados.

Qual dieta é indicada?

Não existe dieta única. A orientação depende do estágio, dos níveis de potássio e fósforo, da proteinúria e da presença de diabetes ou hipertensão. A recomendação mais consistente é a restrição de sódio. Restrições de proteína, potássio ou fósforo precisam ser individualizadas, porque restrição desnecessária causa desnutrição.

Quando agendar

Alteração confirmada em dois exames, presença de proteína ou sangue na urina, ou pressão alta de difícil controle são motivos suficientes para avaliação nefrológica. Atendimento particular, com recibo para reembolso.

Precisa interpretar um exame?


Leve os resultados dos últimos 12 meses. O que muda a conduta é a comparação em série, não um valor isolado.

A Dra. Lara Luiza não atende convênios ou planos de saúde
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